capítulo I ou Primeiro dia ou Primeira publicação ou Qualquer outra coisa que marque o início de qualquer coisa
14:41Há alguns dias decidi que iria enriquecer. Na verdade, essa sempre foi uma intenção, porém nunca objetivada. Antes, lá pelos meus vinte anos e alguma coisa, esse desejo não passava de um desejo. Hoje, às vésperas de completar 39 anos, esse desejo torna-se vontade. E as vontades são sempre involuntárias, advindas de uma intenção inconsciente. Penso eu (e essa será uma condição sine qua non de toda a minha blábláblálogia)
Se há tempos decidi pela riqueza – o que deixa clara a minha atual condição de “pobrezura" [falarei disso, mais tarde se o depois existir] -, hoje o que mudou foi minha intenção de enriquecer mas aos poucos, aproveitando cada momento de transição, cada mudança de perspectiva, cada etapa, cada nível, cada qualquer outra palavra que evoque o trânsito da mutação.
Decidi que quero sentir as
transformações do campo etéreo – porque nenhuma mudança
drástica é fruto de movimentos superficiais – se transmutarem
gradativamente para a matéria. Quero sorver cada micro desenvoltura
dos átomos dando spins pelos campos quânticos abrindo os
caminhos para minha metamorfose.
Sei que parece um pouco pretensiosa tanta ambição, porém esses fluxos são menos meus e mais dos próprios vetores da natureza. Como disse Paulinho da Viola, “não sou em quem me navega, quem me navega é o mar”. Não tenho a menor ideia a qual gênero pertencerá esse registro textual. Suponho que será um blog – embora essa classificação não defina o gênero -, mas não descarto a possibilidade de que não passe de mais uma postagem perdida entre tantas outras, submersa em algum blog criado e esquecido. Farei um certo esforço para que não o seja, mas se a navegação marítima me encaminhar para um buraco negro, não resistirei à força centrípeta. Afinal, “quem sou eu no jogo do bicho” para me atrever a tamanha bravura hercúlea.
Sei que parece um pouco pretensiosa tanta ambição, porém esses fluxos são menos meus e mais dos próprios vetores da natureza. Como disse Paulinho da Viola, “não sou em quem me navega, quem me navega é o mar”. Não tenho a menor ideia a qual gênero pertencerá esse registro textual. Suponho que será um blog – embora essa classificação não defina o gênero -, mas não descarto a possibilidade de que não passe de mais uma postagem perdida entre tantas outras, submersa em algum blog criado e esquecido. Farei um certo esforço para que não o seja, mas se a navegação marítima me encaminhar para um buraco negro, não resistirei à força centrípeta. Afinal, “quem sou eu no jogo do bicho” para me atrever a tamanha bravura hercúlea.
A propósito, o motivo pelo
qual escrevo é justamente a concepção da escrita como um movimento
arteterapêutico – porque, já me descrevendo [embora tudo possa
passar de mentirinhas ficcionais retóricas], sou arteterapeuta,
entre outras funções. Embora não exerça a profissão – não
tenho consultório, não tenho clientes, a não ser a mim mesmo -,
como minha formação acadêmica de base são as Letras, passei a
crer piamente na potencialidade da escrita como um processo potente
de autoanálise e, consequentemente, compreensão de si mesmo. Nada
que os surrealistas já não tenham dito. Enfim, esse será um espaço
para ditos e não ditos, malditos e benditos.
O objetivo principal desse
espaço é ir em busca do Objetivo Principal da Coisa. É dar vazão
às reflexões aleatórias, buscando organizá-las e nesse processo
procurar indícios de indícios de indícios. Creio eu que esse
movimento detetivesco seja salutar para encontrar aquilo que está
escondido no ponto cego. E o ponto cego é aquilo que nem sabemos que
não sabemos. Ignorância cristalina, eu diria.
Bom, vou finalizar esse
texto – esse capítulo – essa postagem – essa bobagem – esse
arquivo de texto – esse diário – por aqui pois como talvez, quem
sabe, ele vire um blog, é necessário que as publicações não
sejam muito longas, não é? [também não sei com quem estou
interagindo. A priori, para uma de minhas múltiplas vozes, mas
também poderá ser para um possível leitor, encontrado em função
randômica por aí]. Afinal, quem lê textos longos demais nesses
sítios virtuais? Na verdade, nem sei se quero ser lido. Sou péssimo
com exposições, embora não faça a linha misantropa. Só tenho
ojeriza aos excessos. A esse universo facebookiano que só me faz
sentir asco pelo comportamento humano. Inclusive o meu.
Conceberei esses registros
como contatos de terceiro grau, como os enviados em sondas espaciais
para serem encontrados por extraterrestres em outros planetas. Talvez
assim um hipotético leitor sinta-se lisonjeado (ou quem sabe
ofendido, não sei) com o fato de ter chegado até aqui. Eu ficaria,
ao menos. Aliás... falando em extraterrestres... Ah, sim, claro:
preciso parar de escrever por agora, sob pena de me perder por
completo. O sono já começa a vir. A sensação de que falei demais
já começa a surgir. Espero sinceramente poder vir aqui amanhã para
registrar mais impressões. Falarei mais minha leitura de mim. Dessa
minha aventura nos campos da matéria. Da minha pretensão de riqueza
pré-sentida. Da minha visão holística da grana e de tantas outras
coisas que me perderei escrevendo até não fazer mais sentido algum.
E só para finalizar,
queria dizer alguns segredos que norteiam o meu caminho e que serão
abordados enquanto registro as minhas cavalgadas sagitarianas: minha
transformação é metafórica e metonímica (ainda não sei muito
bem o que quero dizer com isso, embora tenha certeza que é
exatamente isso o que quero dizer!). A parada é quântica e, nessa
ótica, a mudança é de todos nós! Quem chegou até aqui e se
deparou com esse texto é porque teve todas as suas ações em
convergência para esse aqui-e-agora. A mutação é aquariana! E aos
mais céticos quero dizer que não se preocupem que ninguém virará
hippie ou jogará gasolina no sistema, embora as regras do jogo
estejam mudando, embora o circo esteja pegando fogo, embora os
paradigmas estejam se reconfigurando. Surfemos nas ondas porque elas
são oceânicas!
Um beijo e até amanhã (vá
que esse texto seja uma epístola)!
Com carinho,
Válef

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