Segundo dia

19:32



   Hoje fiquei à espreita das sensações de transição. Na verdade, fiquei mais tempo empenhado em estudar uma nova área do conhecimento. Área essa que provavelmente seja o trampolim para minha transferência dimensional, digamos assim para refunfar o discurso. Descobri que, em última instância, quando estudamos algo, esse algo é apenas pretexto. No final das contas, estamos sempre estudando a nós mesmos. Na verdade sempre desconfiei disso. A gente desconfia de tanta coisa e é fiando e fiando a vida que a gente descobre as nossas verdades e desverdades.
    Estou escrevendo para dessufocar. E aqui dessufoco! Deixando a escrita revelar a sua fina essência (ou não, né? Fui levado pelo fluxo e caí no clichê! Como não tô a fim de fazer muita revisão, vou deixar as coisas assim como tá, tá? [depois vi que havia um erro de concordância verbal aqui, mas vou continuar me permitindo. Até mesmo porque nem o verbo "dessufocar" existe mesmo {ai que merda, essa repetição do "mesmo" no período ficou uma bosta e já destruí o campo semântico com esse mise en abyme maluco do caralho!}]). Talvez o que a escrita queira revelar é que não sei escrever mesmo. Vai saber! (claro que sabe, seu lindo! [tudo é uma questão de estilo, meu caro {sabe é porra nenhuma, seu bosta}]).
   Enquanto escrevo sinto um cheiro gostoso de pão da padaria que fica do lado da casa dos meus pais, onde moro atualmente. Pois é, estou próximo dos quarenta e estou morando novamente com meus pais depois de andar para lá e para cá em busca de sei lá o quê. O bom é que encontrei muitos “sei lá os quês” por todos os lugares por onde andei. Portanto, antes de apontarem o dedo para mim e me julgarem como fracassado, eu replico: “Vá julgar personagens de novela, cacete! Que na vida real, até a mais banal das criaturas é personagem redonda (para relembrar minhas aulas de teoria literária), quiçá, rechonchuda (para deixar claro que não faço uso correto dela)! Me deixe que vou buscar um cacetinho pro meu café!” (pra quem não sabe, aqui no Rio Grande do Sul [ah, sou gaúcho, tá?] chamamos cacetinho o pão francês, que de francês não tem nada, diga-se de passagem! Só se quisermos colocá-lo embaixo do braço. Daí vai da nojeira de cada um, né? Sem pré-julgamentos, até porque j'adore la culture française, bien sûr!).
   Oh, céus, como atingir a riqueza com tanta divagação?! Usarei como base o princípio mandálico de que todos os caminhos apontam para o centro. E seguirei livre andando em círculos, quadrados, fractais, linhas retas. Na verdade, ficarei parado deixando os fluxos fluxarem livremente (e a transgressão à ortografia também, pelo visto)! Como dizem as bibas: “Adoooooro”!
     Acho que é isso por hoje! 

                 Beijos, (não sei para quem)
                        Válef (acho que isso não será uma epístola, mas...)

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P.S.: Continuo sem a menor ideia do que estou fazendo, porém convicto de que tenho que fazê-lo.


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