Quarto dia, o dia em que, por cansaço, Válef relata algo que aconteceu há muito tempo

19:55


Deu-se a largada. Bandeirolas. Um tiro ao alto. Pá! Um tiro no pé? Pum! (Um pum?!) Um peido cosmogônico. Eis a Origem do Mundo! Um Big Pum! Meu livro não fugiria à regra. É claro! É escuro! Um micropum! Um micropumzinho! Pusilânime! Um zumzumzumzumbido binaural no ouvido. Um zumbizumbizumbizumbi, portanto.
Ele pensava esse tipo de coisa enquanto caminhava. Tinha lido em algum lugar que Nietzsche também tinha ideias geniais enquanto caminhava. Achava que era alguma influência de Mercúrio. Sentia uma forte atração pela astrologia e achava que seu comportamento era planetário. Girava pelo mundo como um planeta trans-saturniano. E possuía realmente características que legitimavam essa metáfora.

Adorava os jogos de linguagem e alimentava a sua imaginação com uma digressão que vinha tão espontaneamente quando lhe começavam a faltar as palavras. Seus silêncios eram cada vez mais constantes. Duvidava muito do mundo. Desconfiava absolutamente de tudo. Dentre outras desconfianças, acreditava que o Alzheimer era uma espécie de estado meditativo crônico que atingia um mundo em plena mutação. Todas as suas suposições tinham o mesmo grau de periculosidade. E por isso, não falava para ninguém de suas suspeitas.

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